
O Resultado:

Sempre achei chá e vinho bebidas especiais, mágicas, intimistas, ritualísticas e até certo ponto contemplativas. Com relação ao vinho, não me auto-proclamo sommelier ou mesmo enófila experiente. Apenas gosto de saborear um bom vinho e na hora da escolha sigo o que meu paladar aprova. Prefiro os secos e meio-seco aos suaves que acho muito adocicados e me recordam as famosas sangrias do meu tempo de adolescência feitas com os vinhos Capelinha, Dom Bosco e Sangue de Boi (se é que podem ser chamados de vinhos). O detalhe é que sou muito fresca na hora de saboreá-lo. A taça tem de ser adequada, pois acho heresia beber vinho em copo. Prefiro não tomar. Heresia maior é colocar gelo pro vinho ficar geladinho..argh!!! O acompanhamento deve ser exclusivamente pão e queijo dos mais variados. O ambiente deve ser tranqüilo e necessariamente tenho de estar sozinha ou, no máximo, acompanhada de um bom livro, para que possa sentir calmamente, todos os sabores e texturas. E nesse clima de harmonia os pensamentos correm soltos trocando idéias entre eles criando um campo fértil para lembranças agradáveis e sonhos promissores. O bom desse ritual é que não existe lacuna para a emrbiaguês se instalar, porque refletir auxilia na moderação do espaço de tempo entre as taças ingeridas e essa parcimônia nas doses favorece a tentativa de aproveitar cada momento de introspecção e eternizar ao máximo essa sensação de plenitude.
Com o chá, por sua versatilidade, sou mais democrática. Quente ou gelado e de qualquer sabor induzem a reflexão coletiva. Neste ritual amigos são bem-vindos. Do papo-furado ao debate existencial, prosear degustando um bom chá é muito estimulante e criativo. As idéias parecem brotar naturalmente estimuladas pelo aroma dessa bebida agradável, revigorante, saudável e medicinal. A única exigência é com relação ao acompanhamento: biscoite/ bolachas e geléia . Bolo nem pensar, pois eles são companheiros ideal para o café, meu quase-vício.
Recentemente, minha sobrinha e seu marido me presentearam com um chá que só aumentará meu nível de frescura. Adoro novidades e sabendo disso eles me enviaram um chá em forma de botão de flor que desabrocha quando acrescentamos a água fervida à jarra de vidro exalando o aroma da flor que originou o chá, nos presenteando com um visual maravilhoso. Agora terei uma ritual precedente ao ritual do chá. Terei seis minutos ( o tempo que a flor leva pra desabrochar) para refletir sobre o encanto que é a metamorfose do pequenino botão de flor numa saborosa e calmante bebida que irá estimular o diálogo e a interação com amigos ou minhas confabulações solitárias.
Um brinde à vida que nos presenteia com sabores tão espetaculares!
Créditos: A metamorfose: Paper Blue Abyss1 by SAL e Elementos by Glenda Ketcham. O resultado: Frame by Birgit Kerr.